Os líquidos se dilatam volumetricamente como qualquer substância. No entanto, como é um fluido, precisa estar dentro de um recipiente.
Em geral, os líquidos se dilatam muito mais que os sólidos. A tabela abaixo mostra o coeficiente de dilatação volumétrica de alguns sólidos e líquidos:
Perceba que os líquidos se dilatam cerca de 10 vezes mais que os sólidos.
Considere um recipiente de vidro com volume interno Vₒ e e temperatura Tₒ completamente ocupado por um líquido (na mesma temperatura).
Quando o conjunto é aquecido, o líquido se dilata mais que o vidro, e extravasa. Aparentemente, é essa quantidade que o líquido se dilatou, mas isso não é verdade, porque enquanto extravasa o líquido vai ocupando o volume do recipiente que também se dilata.
Assim, a dilatação volumétrica real do líquido (ΔVliq) corresponde à soma da dilação volumétrica do recipiente (ΔVr) e a dilatação aparente (ΔVap=volume extravasado).
ΔVliq = ΔVr + ΔVap
Exemplo
Um copo de vidro de capacidade 100cm³, a 20,0°C, contém 98,0cm³ de mercúrio na mesma temperatura. A que temperatura o mercúrio começará a extravasar?
Dados:
*Coeficiente de dilatação volumétrica do mercúrio γm=1,8 . 10⁻⁴ ᵒC⁻¹
*Coeficiente de dilatação volumétrica do vidro γv=2,7 . 10⁻⁵ ᵒC⁻¹
Resolução:
O mercúrio começará a extravasar a partir da temperatura T em que o mercúrio e o recipiente tenham o mesmo volume final:
Vm=Vr
Vm=Vr
Vmo+ΔVm=Vro+ΔVr
ΔVm-ΔVr = Vro- Vmo = 100-98,0 = 2,0
ΔVm-ΔVr = 2,0
(γm.Vmo. ΔT) - (γv .Vro. ΔT) = 2,0
(1,8 . 10⁻⁴. 98,0 . ΔT) - (2,7 . 10⁻⁵. 100. ΔT) = 2,0
1,76 . 10⁻² ΔT - 2,70 . 10⁻³. ΔT = 2,0
Com algarismos significativos, na adição e subtração precisamos passar para a maior potência para realizar a operação:
1,76 . 10⁻² ΔT - 0,270 . 10⁻². ΔT = 2,0
1,76 . 10⁻² ΔT - 0,270 . 10⁻². ΔT = 2,0
1,49 . 10⁻² ΔT = 2,0
ΔT = 2,0 / 1,49 . 10⁻²
ΔT = 2,0 . 10²/ 1,49
ΔT = 200/ 1,49
ΔT = 134
Mas
ΔT =T - 20,0
T =134 + 20,0
T =154ᵒC
Resposta:
O mercúrio começaria extravassar a partir da temperatura de 154ᵒC.


